Luanda Carneiro Jacoel, está em Ouidah, Benim, finalizando a residência no “Ateliê dos Artistas” dirigido por Koffi Kôkô, referência da dança africana contemporânea. A viagem também oferece a oportunidade de adentrar o mundo espiritual dos Voduns por meio da participação em cerimônias tradicionais. Koffi Kôkô nos convida a descobrir seu país, Benim, antigo Daomé, e a compartilhar essa experiência, que se propõe a ser um momento de dança e espiritualidade e sua perspectiva sobre a África. “Portanto, acredito que o Vodu seja mais do que uma religião; é uma verdadeira filosofia de vida”.

Ouidah, onde está localizado o momento patrimônio da humanidade Porta do Não Retorno, também é considerada o berço da diáspora, e todos os anos delegações das Américas vêm prestar homenagem a esta cidade, que consideram berço do candomblé brasileiro, a santeria cubana e o vodu haitiano.
Artista da performance, Luanda Carneiro Jacoel, explora a ancestralidade, memória e temporalidade no corpo afro-diaspórico, investigando como práticas performativas funcionam como formas de arquivos vivos. A prática artística é inspirada nas simbologias da Kalunga, o mar, refletindo sobre a travessia do Atlântico Negro. Sua pesquisa dialoga com o legado de sua mãe, Sueli Carneiro, como um princípio ancestral e arquivo vivo, onde memória, política e performance se entrelaçam.



“A saia branca vista nas ações performáticas, pertencia à minha mãe e era originalmente usada por ela no Candomblé. Com o tempo, a saia branca vem performando comigo, tornando-se uma ente, um arquivo vivo que continuamente se manifesta em mim”.
Luanda é doutoranda em Pesquisa Artística em Filme e Artes Audiovisuais relacionadas (FILMART) na Universidade Norueguesa de Filme (INN) e na Academia Norueguesa de Teatro (HiØ). No Brasil, ela é Diretora do Legado da Casa Sueli Carneiro.