Por Felipe Brito
São Paulo, 14 de Maio de 2026: a Casa Sueli Carneiro divulga as 21 iniciativas selecionadas que desenvolvem tecnologias sociais e soluções ambientais em diversos biomas brasileiros e periferias urbanas com compromisso ao enfrentamento à crise climática e a preservação da memória negra.
O edital, que priorizou projetos liderados por mulheres negras, comunidades quilombolas, povos de terreiro e coletivos periféricos, recebeu propostas que vão desde práticas comunitárias de regeneração até metodologias de preservação de saberes ancestrais. O processo seletivo, além de buscar projetos que cumprem os requisitos do edital e se destacam pelas suas ações, teve como compromisso a diversidade regional a partir da representatividade dos biomas presentes, bem como Cerrado, Caatinga, Pampas, Amazônia, Mata Atlântica e das periferias urbanas.
“O alto volume de inscrições – 188 – e a elevada qualidade das propostas submetidas tornaram o processo seletivo desafiador. Um comitê formado por três avaliadoras, além de mim, Mônica Oliveira e Thaynah Gutierrez, precisou de várias semanas para chegar à etapa final, com 21 candidaturas contempladas. O potencial de comprometimento com a valorização e preservação das histórias, saberes e práticas negras, associadas à preservação ambiental nos diferentes biomas brasileiros apresentados pelas propostas corrobora algo que o Edital Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais já havia evidenciado: “não há falta de soluções. O que falta, é escuta, registro, circulação e reconhecimento”, afirma Bebel Nepomuceno, assessora de projetos da Casa Sueli Carneiro.
Visibilidade e Reconhecimento
As ideias selecionadas passam a integrar o Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais, plataforma desenhada para promover práticas sustentáveis de gestão dos territórios, historicamente ignoradas devido ao racismo ambiental. A ineficiência, que pode ser lida como ausência de políticas públicas correlatas aos temas prioritários deste edital nos territórios contemplados, também impactou na criteriosa decisão do comitê, como nos explica Bebel:
“No geral, recebemos iniciativas sofisticadas, tanto em termos técnicos quanto em termos políticos. O Comitê avaliador levou em conta oito critérios de avaliação, incluindo o impacto social e territorial da proposta, privilegiou ações lideradas por coletivos, entidades e associações. As iniciativas demonstram o vigor desses grupos, que criam e assumem a condução de tecnologias sociais ante a ausência do Estado ou, muitas vezes, em parcerias com órgãos governamentais. As escolhas reafirmam o compromisso do edital com o fortalecimento de ações estruturantes, colaborativas e enraizadas nas realidades locais tocadas por atores sociais empenhados na promoção da memória negra e em dar respostas aos desafios ambientais contemporâneos”.
As tecnologias selecionadas receberão aporte de R$9.000 e participarão das seguintes fases: acompanhamento técnico e metodológico contínuo e suporte direto às iniciativas; monitoramento e avaliação, por meio de pesquisas de Marco Zero e Marco Um, garantindo diagnóstico e mensuração de impacto e seminário e sistematização, com curadoria, registro das discussões, edição e publicação dos resultados como ferramenta de defesa territorial. Ademais, a Casa Sueli Carneiro emitirá um comunicado oficial aos contemplados, indicando as etapas seguintes do projeto, além dos trâmites burocráticos.
Conheça os projetos selecionados:
| INSTITUIÇÃO | BIOMA | MUNICÍPIO (UF) |
| Associação Afrociclo: Rede de Mobilização Socioambiental e Cultural | Mata Atlântica | Santo Amaro (BA) |
| Associação Bem Viver Fazendo Transformação Setor Terra do Sol e Continental | Cerrado, Periferia Urbana | Aparecida de Goiânia (GO) |
| Associação Cultural, Social da Etnia Quilombola Perpetuar (Instituto Perpetuar) | Amazônia | Moju (PA) |
| Associação dos Produtores do Território Quilombola de Lagoinha | Caatinga | Casa Nova (BA) |
| Associação itamar para promoção de esportes e cultura na favela | Periferia Urbana | Belo Horizonte (MG) |
| Bom Jardim em Ação | Caatinga | Fortaleza (CE) |
| Coletivo Mulheres Negras da Periferia | Amazônia, Periferia Urbana | São Luís (MA) |
| Comunidade Kilombola Morada da Paz | Pampas | Triunfo (RS) |
| Cursinho Popular das Águas | Mata Atlântica | Salvador (BA) |
| Fórum Cearense de Mulheres | Caatinga | Fortaleza (CE) |
| Grupo Mulheres Unidas da Cidade Nova | Amazônia | São Luís (MA) |
| Ibura Mais Cultura | Mata Atlântica | Recife (PE) |
| Ilê Axé Ya Omin | Mata Atlântica | Santo Amaro (BA) |
| Iniciativa Terra Afetiva | Periferia Urbana | Seropédica (RJ) |
| Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu- Ilabantu | Periferia Urbana | Itapecerica da Serra (SP) |
| Instituto Presépio | Mata Atlântica/ Periferia Urbana | Vitória (ES) |
| Instituto Rainhas do Mar | Mata Atlântica | Santo Amaro (BA) |
| Jabakule | Cerrado, Mata Atlântica, Periferia Urbana | Belo Horizonte (MG) |
| Ketu Lab | Amazônia, Periferia Urbana | São Luís (MA) |
| Salve Beberibe | Mata Atlântica, Periferia Urbana | Recife (PE) |
| Terreiro de São Jorge Tumajamacê | Amazônia | São Luís (MA) |