A 2ª Conferência Nacional de Arquivos começou nesta terça-feira (29), em Brasília, reunindo representantes do poder público, movimentos sociais, universidades e instituições da sociedade civil para discutir o papel dos arquivos como agentes fundamentais da cidadania e da democracia. A realização da conferência marca a retomada do debate nacional sobre políticas arquivísticas após um hiato de 14 anos.
Com o tema voltado à relação entre memória, acesso à informação e fortalecimento democrático, a atividade destacou a importância dos arquivos para a preservação da memória social brasileira e para a garantia de direitos. Ao longo da abertura, representantes do governo federal ressaltaram a necessidade de ampliar o debate arquivístico para além do campo técnico, aproximando-o das disputas contemporâneas sobre democracia, participação social e reparação histórica.

A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que “o evento demonstra um processo de renovação democrática no campo da memória e dos arquivos”. Em sua fala, destacou que a cultura produz “arquivos vivos”, uma vez que a própria cultura é dinâmica e permanente.
A Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou a relação entre democracia e acesso à informação pública. Em sua fala, afirmou que “não existe democracia quando a informação não é acessível à população”. A ministra também ressaltou a necessidade de fortalecimento da diversidade e inclusão no serviço público, mencionando a expansão nacional de novos quadros de servidores.

Durante a programação, também foi lançado o Programa Brasil Arquivos, iniciativa apresentada por Esther Dweck, Ministra da Gestão; Mônica Lima, Diretora do Arquivo Nacional e Pedro Puntoni,representante do Galo da Manhã. O programa prevê investimento de R$1,4 milhão para apoiar 20 iniciativas em diferentes regiões do país, além de estimular processos de circulação regional entre os projetos selecionados, fortalecendo redes de memória, preservação documental e democratização do acesso aos acervos.
A Casa Sueli Carneiro participa da conferência com representação de Natália Carneiro, Ana Flavia Magalhães Pinto e Ionara Lourenço, que acompanham os debates sobre memória, democracia e arquivos comunitários, temas no qual a instituição vem se debruçando desde sua fundação. Neste espaço, também reforçamos a importância do reconhecimento dos acervos negros e comunitários como parte fundamental das políticas públicas de memória no Brasil.