Casa Sueli Carneiro abre biblioteca com acervo de autoria negra 

Por Natália Carneiro

A iniciativa reúne obras de autores negros de diferentes áreas do conhecimento, incluindo pensadores como Charles Mills, Bell Hooks e Cidinha da Silva, que contribuem para o debate contemporâneo em torno de raça, gênero e sociedade.

No dia 6 de maio, a Casa Sueli Carneiro abre ao público a Biblioteca Circulante Eva Alves Carneiro, em sua sede, em São Paulo. A iniciativa integra o processo de ampliação do acervo da instituição, iniciado a partir do conjunto reunido por Sueli Carneiro, que orienta até hoje a forma como a Casa compreende memória, organização e acesso.

“A Biblioteca Circulante Eva Alves Carneiro leva o nome da mãe de Sueli Carneiro. No dia de seu aniversário, 6 de maio, inauguramos essa iniciativa em sua homenagem. Nossa matriarca, Ibeji, mãe de sete filhos, avó de mais de 12 netos e oito bisnetos, compreendia a importância da palavra, da escrita e do conhecimento como ferramentas de liberdade e emancipação. Mulher negra periférica, alfabetizou em casa seus sete filhos, que ingressaram na escola já sabendo ler e escrever”, destaca Luanda Carneiro Jacoel, diretora da Casa

A biblioteca se estrutura como um espaço de circulação: de livros, de pessoas, de ideias que atravessam diferentes campos do conhecimento. O acervo inicial reúne 151 autores negros e 253 livros catalogados. Há uma presença mais marcada da literatura e das ciências sociais, mas não se limita a essas áreas. Acompanha trajetórias intelectuais diversas, muitas vezes construídas fora dos circuitos mais visíveis.

É importante que bibliotecas sejam criadas em territórios e que represente também a literatura produzida por pessoas negras. A Biblioteca Circulante Eva Alves Carneiro surge com um marco institucional capaz de trabalhar as questões de raça, gênero e produção intelectual tão presente nas ações da Casa Sueli Carneiro, afirma Ionara Lourenço, Bibliotecária da Casa Sueli Carneiro

A formação do acervo se deu por meio de doações e aquisições orientadas pelas diretrizes da política da Casa, estruturada a partir do acervo de Sueli Carneiro e de uma curadoria voltada à literatura afrocentrada. Valoriza autorias negras contemporâneas situadas em diferentes espaços de produção intelectual, movimentos negros e de mulheres negras e territórios.

A biblioteca atende ao público do entorno do Butantã, com foco em estudantes e professores da rede pública, além de pesquisadoras, leitores e moradores da região. Para realizar empréstimos, é necessário fazer um cadastro presencial na sede da Casa Sueli Carneiro, localizada na Rua Gioconda Mussolini, 259. O serviço de empréstimo é realizado exclusivamente de forma presencial.

“Nossa expectativa é que iniciativas como esta continuem a se expandir, fortalecendo o acesso ao conhecimento e a valorização da identidade negra em diferentes territórios”, pontua Ionara. 

A criação da Biblioteca Circulante Eva Alves Carneiro dá continuidade a um trabalho que não começa agora. Organizar um acervo, neste caso, não é apenas reunir livros. É definir o que circula, como circula e com quem circula.

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