Edital: Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais

A Casa Sueli Carneiro abre inscrições para a  seleção de 21 iniciativas negras de soluções ambientais, desenvolvidas nos diferentes biomas brasileiros e em periferias urbanas. As iniciativas devem ser lideradas por pessoas negras e podem assumir a forma de projetos, práticas comunitárias ou tecnologias sociais conduzidos por coletivos, organizações, entidades ou movimentos negros.

As propostas selecionadas integrarão o Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais, que tem como objetivo mapear tecnologias sociais voltadas ao registro de memórias, ao acolhimento de experiências e à sistematização de práticas negras que  cuidam dos territórios, regeneram ambientes e sustentam a vida. Ainda assim, essas soluções seguem amplamente invisibilizadas pelo racismo,  que também atravessa a agenda ambiental.

O Laboratório parte do reconhecimento de que não há falta de soluções. O que falta, é escuta, registro, circulação e reconhecimento. Mulheres negras, comunidades quilombolas, povos de terreiro, coletivos periféricos e organizações de base têm produzido respostas concretas à crise climática a partir de seus territórios, saberes e modos próprios de organização. Este edital nasce para fortalecer essas práticas e reposicioná-las como referência.

O apoio às iniciativas contemplará todos os biomas brasileiros, além de  periferias urbanas e terreiros. Os projetos e/ou iniciativas selecionadas receberão apoio financeiro de R$9.000,00 e terão acesso a oficinas formativas, a acompanhamento técnico e a instrumentos de visibilidade. Ao longo do desenvolvimento do Laboratório,  as organizações participarão de espaços de troca e formação e terão  acompanhamento contínuo. Ao final, os aprendizados e experiências serão reunidos em uma publicação- relatório, a  ser  apresentada publicamente .

SOBRE O LABORATÓRIO

O Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais está organizado em cinco etapas articuladas:

  1. Abertura de Edital público, assegurando transparência, diversidade regional, amplitude e capilaridade em todo o território nacional;
  2. Seleção das iniciativas, com análise das inscrições por  equipe multidisciplinar e divulgação do resultado das 21 iniciativas selecionadas no dia 14 de maio;
  3. Implementação do 2º Laboratório, com início do processo formativo Páramo – Memórias Negras, acompanhamento técnico e metodológico contínuo e suporte direto às iniciativas.
  4. Monitoramento e avaliação, por meio de pesquisas de Marco Zero e Marco Um, garantindo diagnóstico e mensuração de impacto.
  5. Seminário e sistematização, com curadoria, registro das discussões, edição e publicação dos resultados.

FORMAÇÃO E FORTALECIMENTO

O Laboratório se estrutura a partir de dois eixos formativos:

O primeiro é o Laboratório de Memória Negra e Soluções Ambientais (36 horas), com rodas de conversa com especialistas e lideranças, reflexões sobre políticas públicas, apresentação da metodologia, mapeamento das iniciativas participantes, troca de experiências e sistematização final.

O segundo é o processo formativo e de fortalecimento de acervos (16 horas), que inclui práticas de catalogação, conservação e digitalização , uso da plataforma Páramo, distribuição de kits de acervo e a produção coletiva da memória como ferramenta de defesa dos territórios.

MAPEAMENTO DAS INICIATIVAS

Como parte central do Laboratório, todas as iniciativas selecionadas deverão construir e entregar um mapeamento de sua própria atuação.

Esse mapeamento será desenvolvido ao longo do processo formativo, com apoio técnico da Casa Sueli Carneiro, e deve considerar, a partir do olhar da própria organização, o território onde atua, suas práticas e tecnologias sociais, as trajetórias construídas, as pessoas envolvidas e os impactos gerados.

Não se trata de um exercício técnico ou acadêmico. O mapeamento é entendido como ferramenta de memória, fortalecimento institucional e afirmação política, podendo assumir formatos textuais, audiovisuais, cartográficos, artísticos ou outros que façam sentido para cada território.

QUEM PODE SE CANDIDATAR

Podem se candidatar coletivos, entidades, organizações e movimentos negros, do campo e das cidades, desde que as iniciativas sejam lideradas por pessoas negras, conforme autodeclaração,.

Serão priorizadas iniciativas conduzidas por mulheres negras, comunidades quilombolas, povos de terreiro e coletivos periféricos. Propostas sem liderança negra não serão consideradas  na seleção.

CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO E PRAZOS DEFINITIVOS

Os candidatos devem observar atentamente os marcos temporais abaixo relacionados.

CRONOGRAMA

EtapaData / Período
Abertura do Período de Inscrições03 de março de 2026
Encerramento das Inscrições20 de março de 2026
Análise Curatorial e Técnica21 de março a 13 de maio de 2026
Divulgação das Propostas Selecionadas14 de maio de 2026

DISPOSIÇÕES GERAIS SOBRE OS PRAZOS

  • Horário Limite: Para todos os efeitos, as inscrições se encerrarão às 23h59 (horário de Brasília) do dia 20 de março de 2026.
  • Responsabilidade: É de inteira responsabilidade do proponente o acompanhamento das publicações nos canais oficiais.
  • Alterações do prazo: A critério da administração, as datas constantes neste edital poderão sofrer alterações, mediante aviso prévio devidamente publicado via instagram da Casa Sueli Carneiro.

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